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segunda-feira, 12 de maio de 2014






    SONETO DA HORA FINAL

    Vinicius de Moraes
    Será assim, amiga: um certo dia
    Estando nós a contemplar o poente
    Sentiremos no rosto, de repente
    O beijo leve de uma aragem fria.

    Tu me olharás silenciosamente
    E eu te olharei também, com nostalgia
    E partiremos, tontos de poesia
    Para a porta de treva aberta em frente.

    Ao transpor as fronteiras do Segredo
    Eu, calmo, te direi: — Não tenhas medo
    E tu, tranquila, me dirás: — Sê forte.

    E como dois antigos namorados
    Noturnamente triste e enlaçados
    Nós entraremos nos jardins da morte.
    Gabriel Colaço Alves 1ºETIM

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